21.6.16

quão longe estarei desse mundo onde a vida segue o seu curso massivo, se ainda há pouco perscrutava o céu, em busca da lua e dela nem sinal? talvez o meio quilo de cerejas me tenha alterado o processo cognitivo, pensei, enquanto me despia. mergulhei então nas águas tranquilas do lago que tão bem conheço, estudei a maciez da pele, encontrei dentadas de monstros de escassa resolução, devolvi confiança à vontade e dormitei um pouco.
valeu tanto a pena, que ela, a minha face de luz, ventre cavalgado em marés de vento, já me esperava, igualmente nua, no gradeado da varanda. a eterna questão que se avizinha, enquanto passeio à trela o tigre azul de Borges, é saber se me dou de alimento aos mosquitos, à luz do candeeiro, se me bronzeio de prata na chaise longue exterior.