17.6.16

sinto, de igual maneira, tanto de pena, quanto de repulsa, pela Vendredi que hoje se apresenta. sem cor, mal humorada, azeda como a mulher que sempre perde, continuamente angustiada. não gosto do seu comportamento amador, às vezes grosseiro, aquele jeito nervoso que irrita. ela sabe-o e evita olhar-me, concentrando-se no ecrã do computador. não houvesse gente à vista e já a teria encostado à parede, esbofeteando-lhe o rosto imbecil, até que as lágrimas lhe rebentassem em catadupa. de quatro, no chão, mãos postas na gaveta do arquivo, o corpo despido até joelhos - seria vergastada como uma garota mimada, aquilo que sempre foi. a pele ardendo em vermelho-escuro, a dor aguda escoando-lhe pela boca. gozo, imaginando o festim. 
cinzento-neutro-nada, Vendredi não se revolta, é mansa como um triste cão capado.