4.6.16

Tolerância à intolerância, é isso que estes anémonas me pedem! Encéfalos de cimento!, gritou, crispada, Vendredi. dói-me a cabeça, dói-me no fundo das costelas, é sábado, tenho espinhos para engolir, não preciso agora da Vendredi aos berros, imaginando-se em algum palanque das nações unidas. 
peço-lhe que se sente, que se acalme, que a vida é curta e de nada lhe vale a arrelia. sente-se picada com a minha condescendência melanina, gira o torso de rompante, estende-me os papeis que traz na mão e sai porta fora. reconheço de imediato os documentos, observo as fotografias... chador, chador, hijab, hijab, hijab, descoberta, hijab, hijab, descoberta, chador, hijab. percebo então onde Vendredi quer chegar, sei cada palavra que lhe atormenta aquela alma enjeitada. não falará da situação com mais ninguém, Esta gente confunde bom-senso com discriminação, mas só para o que lhes convém! o que Vendredi não sabe, nem pode saber, é que eu decidi - em acordo unilateral, com maioria garantida - ignorar a realidade do mundo, desviando-me do seu eixo gravitacional, deixando a coisa acontecer.