6.6.16

vais se a ver, e tudo não passa de mau-humor matutino, alguma irritação intestinal ou farsa inventada pelo azedo início de semana. pois então se as crianças, nos seus petitpatapuns a estrear, entoam belas canções infantis, em vozes melodiosas, acompanhadas por bandos de rouxinóis, enquanto dançam em roda, de mãos dadas. as mães, belas, das suas idas diárias ao ginásio, ricos cremes de beleza, sorriem como actrizes de cinema, sob as abas largas dos chapéus, enquanto selfam e postam momentos. os companheiros, atléticos e atentos, transpiram charme e cultura geral. é vê-los, saltitando em velas, de flute na mão, chamando em voz perfeita, Bernardinho, não se afaste daqui!, enquanto conversam sobre qual o melhor investimento de commodities actual. da grafonola by apple, saltam notas de jazz, devidamente alinhadas com o brunch pinterestiano, que homens de avental, imaculadamente branco, vão servindo, à sombra do toldo de pano.
esta é a realidade, nua e crua, que a autora, deficitária de glóbulos cor de rosa, tentou adulterar. alegremo-nos e cantemos com alegria.


[não, nada disso, amigo leitor, não é sobranceira da minha parte, é mesmo falta de paciência para a azeiteirice.]