28.7.16

Deslocações de dedos em volta de umas ancas ferozes,
mão atentamente aberta sobre uma vagina viva
como uma boca nas virilhas, a flor do ânus, a flor do ânus —
e depois a luz desloca-se de toda a parte para toda a parte.

O dia apoia-se no seu próprio movimento.

O peixe apoia-se na sua própria submersão.

O amor apoia-se no seu próprio êxtase.

E as vozes apoiam-se no seu próprio som.

Apenas as flores se apoiam no perfume veloz.

Apenas os corpos se apoiam nas flores que eles próprios são —
atados como ramos de um cego e amargo e monstruoso e veloz perfume,
como um perfume de corpos.

As ribeira de luz respiram a prumo.

As ribeiras de treva respiram a prumo.

Vive-se a tremer com o pavor e a glória.

Vive-se de uma ponta à outra o extremo amor, o amor,
e a solidão como um lugar inteiro.

Alguém respira onde é vivo —
uma boca, um ânus, uma vagina viva.

Alguém ferve pela luz adiante até entrar nas trevas
e ficar respirando nas trevas.

Um perfume de esperma.

Um perfume de salsa.

Um perfume de enxofre que estonteia.

Alguém se transforma numa coisa inominável.

/apresentação do rosto/