10.7.16

Ficaram os burros a carregar os fardos, foi?! grita o Zé, chateado. O barulho da ceifadeira abafa-lhe a voz. A verdade é que, cada um com a sua desculpa, uns e outros foram-se pisgando do calor do restolho, só ficou ele e os dois irmãos mais novos. O Carlitos e o filho já estão a montar a antena, qui'sto a gente descuida-se e quando dá conta são oito horas. Olha m'esta merda, tudo cheio de grainha... vira essa merda mais p'rá direita, Nando!, grita o Carlitos ao filho, que subiu ao telhado. Sara, a esposa roliça, sempre à espreita, grita-lhe da porta da cozinha, Ó homem, olhá língua! Não fales assim ao garoto, pá!, e esgueira-se para dentro. Tu cala-te, mas é, ai o caralho!, afina o Carlitos. Ó filha, deixa-o, tu não vês qu'ele já está c'us copos. Deixa-o, num te metas. Passa-me aí esse alguidar, anda. Sara encolhe os ombros, a irmã é que teve sorte, lá com o suíço, andam sempre de mão dada. Este ano nem sequer cá vieram.
Entretanto, o Rui já foi buscar duas grades ao poço, c'u pessoal já está com sede. Ó cambada, Viva Portugal! Viva!, gritam todos em uníssono. D. Gertrudes sorri, que alegria, hoje.

Mais coisa, menos coisa, por agora é isto, estimado leitor. A ver vamos, como corre. Quem sabe não deitamos mesmo o fogo ao pinhal do Engenheiro. Bah oui, non?