11.7.16

limpo a gota de água da cara de Borges, com a meia cinzenta que me preparo para calçar. sei que não é a cara de Borges, mas sim a cara da memória de Shakespeare que a vega, sem gosto, decidiu publicar. o livro está mesmo à cabeceira do meu lago privativo, em cima do aquecedor a óleo, um dos meus melhores amigos, que não só me aquece as toalhas, como também me aquece o coração e os trapos. D. Maria da bata às riscas quis tirá-lo na semana passada e ficou a conhecer o meu lado mau. ninguém tira o aquecedor da casa de banho!, há-de lembrar-se a senhora por muito tempo, enquanto continua a assobiar para o lado às teias da Milu. dois ou três meses, em ano bom, que o pobre fique desligado, não compensam a viagem aos arrumos. além do mais, dá-me jeito para pousar os livros.