16.7.16

não vale a pena esventrar a insónia que decidiu partilhar cama comigo, prefiro debitar sobre a cor ambígua que me cobre a pele: o início de um fraco bronze à camionista que serve de prova ao verão medíocre em que navego. não sei o que são férias há demasiados verões e as últimas com aparência digna de merecerem tal nome, decidi acabá-las quatro dias antes. hoje, francamente, arrependo-me disso. imaginar-me entre a cama e o ócio, o som do mar, a sombra da palhota, a bebida ao entardecer e não pensar em coisas sérias, agrada-me. dou-me conta do quão cansada devo estar - sei que abuso /e abusam de mim/, mas desculpo-me com o medo do desemprego, que sendo real, no meu caso, não é realista -, porque, há anos, que não desejava uma paragem assim. 

acabo de escrever o texto já com dúvidas relativamente às intenções. talvez apalavrar os desejos, me enfastie deles, ou talvez o ócio me canse ainda mais. porque, afinal, o descanso só se encontra num par de braços.