6.8.16

{acabo a semana com o meu jinzu, no sr. Alberto. o tártaro de peixe que me traz à mesa, em jeitos de prova, está de partir o coração, o branco que me deu a provar /eu, que nem me atino com vinho branco/ a iluminar-me o sorriso. então, perguntei-me eu, por que diabos aquele peso no peito? que doença é esta, de tamanha insatisfação? transcende-me, a minha loucura. é continuar a mantê-la escondida, tal bluebird no peito, e sorrir ao sr. Alberto, que me faz sentir em casa, quando já nem eu sei de mim.}

{Corto Gatês, o intrépido e doce gato cinzento-escuro, parece mais magro e mais velho, de cada vez que chega das suas incursões. assalta-me então a tristeza antecipada de o(s) perder. o curso natural da vida parece-me desadequado, um castigo maldito de um qualquer deus birrento. não me atrevo sequer a tecer pensamentos sobre o assunto, no que aos meus entes diz respeito.}

{d. Maria da bata às riscas deixa-me a casa toda limpinha, no escuro de quem chega quase sempre perto das onze da noite. o riso vem-me na manhã seguinte, quando o sol desvenda os mistérios da transparência. no principio custava-me, pago-lhe mais por cada hora, do que a outra senhora /eu, pelos vistos, serei sempre: menina/ por cada duas. mas depressa percebi que há muitas maneiras de ajudar alguém, que não preciso de morar num hospital higienizado e, o mais importante, o seu jeito com a bicharada /real proprietária do casarão/ é precioso.}

{acabando este registo no diário das banalidades, tenho de ir /só de pensar, fico doente/, mas tenho de ir, impreterivelmente /adoro ver como as gentes, manientas, se tentam montar nesta palavra e acabam por se enganar a trote/, dizia eu, que já me perco em divagações e ácidos de estômago, dizia: tenho de ir limpar a merdaria dos gatarrões... suspiro longo... talvez possa ainda escrever mais qualquer coisa... ou tirar uma fotografia à Violeta /não tive coragem de exercer a tua tirania, Susana! mantenho-a a beber que nem um camelo/, ou explicar o fluxo das águas sanitárias e perguntar como é que alguém, no seu perfeito juízo, bebe água da torneira... ou então, sei lá, falar de outras coisas... não?... alguém?.... /pfffff, bloggers..../ ....}

5 comentários:

  1. [compreendo essa insatisfação, é daquelas viscosas, que se pegam sem razão aparente... mas nã tenho comigo a cura, o que faço é continuar, apreciando cada maravilha como última]

    nã serve de consolo, mas pensa que Corto Gatês vive como sempre sonhou, sem arrependimentos... :) e sim, podes beber água da torneira... nã mata

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    1. talvez não mate, mas aí está um círculo (da sanita ao copo) do qual não quero fazer parte :b


      Corto Gatês é um herói! :)

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  2. da primeira parte, insatisfações, sempre a rondar o perímetros de alguma pretensa higienização mental, sofro de todas. enxoto-as, mas não desistem. são como carrapatos. gatos, não tenho, mas percebo a projeção por antecipação da perda. aí, também eu, me colocaria nessa aflição, de cada vez que lhe olhasse um regresso mais destemperado - tenho problemas relacionados com sofrimento por anteciapação- desenho o cenário, comento-o e enrugo-me em aflições. sobre a água, ainda ontem li sobre a superior qualidade da que jorra da torneira. Mas lê-se tanta coisa, e agora, que estamos oficialmente na silly season, é melhor acautelar.
    Obrigada, Flor, pelo espaço aberto a considerações.

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    1. obrigada eu, Mia. senti-me em casa no teu comentário {usemos o tu, pode ser?}. às vezes, talvez mais do que aquelas que julgamos, não queremos mudar, apenas que alguém nos compreenda. foi isso que senti ao ler-te.

      abraço, Mia.

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  3. usemos o tu, claro que sim.
    continuação de um bom dia.
    também deixo um abraço.

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