9.8.16

ela, em Lisboa, nas duas semanas que lhe cabem com o pai; ele no Algarve, nas habituais férias de verão com a família. começa por me contar, de sorriso aberto, que confia totalmente nele. as coisas são como são e eles já não são crianças para fazerem da situação um problema. concordo e acrescento, em tom de pergunta, que, agora com os smartphones, deve ser mais fácil estar perto, mesmo estando longe. solta uma risada e diz que sim, sem dúvida!, e depois, um silêncio refractário, na brecha de dois ou três segundos, faz nascer a confissão. ele não é muito de escrever... diz que não gosta muito, e falar fica caro, porque ele tem um tarifário de assinatura, por causa da empresa do pai... ou qualquer coisa assim, não sei bem. entendo, respondo-lhe, sem intenção de continuar a conversa. porém, ela insiste na justificação, mas todos os dias me manda uma mensagem a dizer que gosta muito de mim. é querido, não acha?... eu achar, não acho nada, mas aceno-lhe tristemente que sim.