12.8.16

encontro a Vendredi, sozinha, agarrada aos papéis que mais ninguém quer. encolhida sobre o teclado, cabelo apanhado em carrapito, preso com o lápis nº 2. parece uma criança enfezada, a quem tem faltado o sol de agosto, faz demasiado tempo. aquele abandono, o rosto fechado, o ar de coitadinha, toda ela me dá raiva. decido sentar-me ao seu lado e importunar-lhe o fecho das contas, rebaixá-la ao chão de madeira. estás de reserva?, pergunto, em tons de gozo, mas ela não muda de jeitos. finge que não me vê. é isso que tu és, Vendredi, a mulher que fica de reserva? estala os dedos, um a um, lentamente, mas continua calada, de olhar fixo no ecrã. mais um pouco e fá-la-ia chorar, quem sabe, magoar-se com o bico da lapiseira, pequenas picadas de sangue, que depois levaria à boca, provando da sua humilhação. Vendredi, minha pobre idiota, tenho pena de ti.