10.8.16

perto das três da manhã, acordei, vestida, sequiosa, numa cama que não reconheci. havia uma varanda, onde me sentei e ouvi as vozes da noite. o vento nas canas, sibilante, onde mil demónios dançavam estropiados. o coro de grilos habitual, um mocho-galego que piava intervalado, alguns cães latindo ao longe. reconheço a noite, reconheço a cama, dispo-me.

a noite manteve-me acordada até à alta madrugada. decifrei-lhe todas as palavras, concordei com a ideia geral. o que não se diz, carrega-se, como um peso.