5.8.16

Querido
Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar. E então pensei: vou-te escrever. Mas não te quero amar no tempo em que te lembro. Quero-te amar antes, muito antes. É quando o que é grande acontece. E não me digas diz lá porquê. Não sei. O que é grande acontece no eterno e o amor é assim, devias saber. Ama-se como se tem uma iluminação, deves ter ouvido. Ou se bate forte com a cabeça. Pelo menos comigo foi assim. Ou como quando se dá uma conjunção de astros no infinito, deve vir nos livros. Ou mais provavelmente esse tempo nunca pôde existir, que é quando realmente existe o que vale a pena existir.


suavemente adulterado de 

em nome da terra, de Vergílio Ferreira

13 comentários:

  1. Vem nos livros, sim. Já tenho lido...

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    1. o amor vem nos livros?! quero um amor para estas férias, máx. 200 páginas, papel com gramagem de 120, tamanho A5! dá-se preferência a capa minimalista e conteúdo em camadas, a descobrir /destapar?/.


      :)

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  2. Há palavras que desde um primeiro momento passam a habitar-nos para sempre,- uma espécie de tatuagem interior, passe a pobreza da analogia, - como 'essas'.

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    1. hummm... isto não tem "cara" de ter sido escrito por "pessoa afável, meiga e simpática"...

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    2. aliás, *tem! (burra eu, que me derreto no forno)

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    3. SOCOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRO!

      alguém me salve da salvação!!!!


      :)

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    4. é do agosto. no mês que vem, voltas ao mau-feitio ;)

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  3. fica um sabor na boca... de querer mais :)

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    1. «Vou pensar melhor a ver se eu próprio me entendo. Ponho-me a lembrar o que passou e o que me lembra é só a tua presença forte ao pé de mim. E depois acabou. Deves ter achado que era de mais e então acabou. Foste para não sei onde e estás lá fixa quanto te lembro.»

      é um livro soberbo, Manel.

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    2. Apre!, que tu a salvar velhinhas és pior do que os arrumadores de carros!

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    1. «Os deuses, como sabes, amam os que morrem jovens porque o absoluto é a sua medida. É assim. Que erro,(...), sermos humanos e fraccionários.»

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