4.9.16

o castanho barrento, exposto em sulcos profundos, transformou-se no parque de merendas de alguns pássaros cinzentos que não consigo distinguir. nada sei do homem, temo a sua invalidez, talvez a sua morte. é outro o homem que agora lavra a terra.

a doença, desmaios súbitos sem aviso prévio, ainda não tem nome, tão-pouco cura. o rapaz, que ajudei a criar, enraivece-se à notória invalidez que o vai tomando. proibido de conduzir, desempregado forçado. debito lugares-comuns à mãe, enquanto torço os dedos para não chorar. a miserabilidade da situação é evidente. 

cheguei no momento em que a maca, coberta por um plástico preto, era empurrada até à carrinha branca, estacionada a menos de cinco metros. paralisei, encostada à porta. choro todos os cães que morrem.



o mocho-galego - encanta-me aquele olhar - deixa que eu me aproxime, quase lhe consigo tocar, ainda que não o tenha tentado. como eu, vive de noites brancas e madrugadas em silêncio.