23.9.16

paz à alma de Vendredi, cujo corpo apodrece no balanço suave das águas baixas da ribeira.


era desta forma, tranquilamente, zombando a putrefacção da pobre, que gostaria de ter iniciado o presente relato. mas não posso. não devo. Vendredi merece um final épico, talvez caída no poço de um elevador, no bairro do pica-pau, ou trucidada por um comboio da linha do cacém. ou, porque não, atacada pela navalha de algum agarrado, quando lhe resiste ao assalto à luz do dia. tudo se há-de passar na musgueira. 
ou talvez Vendredi mereça uma morte mais nobre, coisa para um palacete em sintra, às mãos de um velho conde em ruina, quiçá, envenenada pela cozinheira ciumenta, nada e criada em Malveira da Serra, há sessenta e um anos. ou por um dos filhos bastardos do velho.
ou talvez nada e de Vendredi nem mais uma palavra.