23.10.16

almocei cedo, numa orgia de cores e paladares, - pimentos assados, tagliatelle com alperce (sim), peixe panga bem simples, puré de maçã, crepe de goiabada e queijo de cabra, cogumelos salteados, meio copo de vinho - um verdadeiro festim. do café, bebi dois golinhos, cada vez me custa mais forçar-me ao gosto queimado, e pus-me a caminho da livraria. o rapaz, por simpatia ou genuíno reconhecimento, ofereceu-me um sonoro cumprimento. o gesto quebrou o silêncio religioso entre os presentes - sempre todos tão iguais - que o rubor se me aflorou à face. ridícula, fugi apressadamente para a poesia. já em segurança, encostada às prateleiras do costume, dei início à busca, procurando algum arrebatamento dominical.
saí de mãos vazias.

/que saudades dos meus alfarrabistas./