29.10.16

confesso: quis embebedar-me, ontem à noite. quis embebedar-me como há muito não me lembrava. avancei no jinzu, como quem avança nos sumos de pacote. queria, à força, suprimir aquela necessidade imediata de pensar nas coisas. pois que sim, o dia foi longo, ainda tinha de voltar ao escritório (ah-ah-ah!), nem é tarde, nem é cedo, é a hora certa para me embebedar. não uma dessas bebedeiras de secundário, em que vamos agarradas pela melhor amiga até à casa de banho, não, nada disso, era uma bebedeira mais contida, mais madura, onde havia apenas olhares inebriados, gargalhadas soltas no ar e sexo selvagem na arrecadação do restaurante. uma bebedeira com estilo, quase um teledisco ou publicidade de perfume. pois então que venha esse jinzu, vício que ninguém me entende e ainda me acusa de nem ser gin de verdade. gin de verdade ou não, a meio do segundo, fiz contas ao preço, lembrei-me do saldo da conta, e decidi que me embebedava noutra altura, quem sabe no natal, com uma caixa tamanho familiar de mon cheri. da desejada bebedeira, passei à ingrata depressão. raios partam o jinzu!