25.11.16

até quando encontrar
seus fios de cabelo
no meio dos meus livros?



*

agora
imagine
uma
caixa
torácica
de
bom
tamanho
acústica
saudável
onde
pulsasse

bem-
acondicionado

do
lado
esquerdo
do
peito

um
baço. 

           
*

                    
outro dia mesmo, vadiando as gavetas,
topei com uma de suas costelas.


o que um dia foi pra mim
lua crescente, pente,
bumerangue de marfim


(e – ainda – quantas vezes
arco para violinos genoveses?),


hoje é apenas um souvenir
de timbuktu.


                         
*

talvez depois sorrissem, se um deles
perguntasse, patético, aturdido,
na noite exumada:

o único osso
que restou de nosso
amor decomposto


é a lua,
essa mesma lua 
linda lá no alto?


                   
*

                              
(não que fosse aquela nudez
o primeiro alumbramento.)

você lembra?

ali parados, o coração batendo,
surrados
por uma corja de borboletas.


         
*

     
não é o tempo, necessariamente.
não é da alçada dos relógios.
o vento
                               
é que comove as árvores, despenteia
o móbile das lembranças.


rodrigo madeira