19.12.16

num final de tarde de dezembro, o frio da montanha galopando no vazio dos raios de sol, a mãe manda-os ajoelhar de frente para a campa de mármore. nenhum se atreve a falar. sem saber porquê, sobe um pouco a saia de fazenda e pousa os joelhos nus rente à pedra irregular. devagar, esfrega-os, procurando as pequenas arestas aguçadas, para que a pele se rasgue. a dor, fina, ataca-lhe o corpo, obrigando-a a trincar os lábios por dentro. as lágrimas mantêm-se no limbo dos olhos grandes. está sozinha, os outros nada vêem, rezam alto um pai-nosso.