respiro os gases azuis dos combustíveis, sempre que vagueio pelas ruas estreitas do meu labirinto. nas sarjetas, misturam-se os dejectos dos cães citadinos com as águas pluviais, recolhidas na estação próxima dos comboios de velocidade veloz. aprendo a caminhar nestes passeios periféricos que nunca foram os meus, despindo o casaco arrogante, comprado nas avenidas. aos poucos, golpeando apenas as polpas dos dedos, que lambo, febril, vou mapeando o virar das esquinas, as vielas mais frias, os descampados onde nascem as lixeiras, as vias-rápidas onde atravesso pontes com vozes suicidas.
não haverá lugar para balanços, neste ano bissexto que por agora finda. não creio em festejos pré-definidos e massivamente copiados, tão-pouco conheço o calendário dos planetas telúricos. repito os desejos do ano passado, - intemporais -, alguns cada vez mais distantes das minhas mãos:
para vós, o que quiserdes.
para mim, manter-me silenciosamente em saudável hikikomori. não sentir por dentro o sofrimento alheio. que o corpo não adoeça e o coração não pare numa hora má. que o acaso me ofereça os lapsos temporais que puder. que, de olhos fechados, encontre sempre o que procuro. que não me falte a possibilidade para me manter [livros incluídos] e manter a bicharada que vive sob o mesmo tecto. não ver nenhum animal na estrada, vivo ou morto. que a minha mãe continue feliz.
bom ano, Flor :)
ResponderEliminarum ano feliz, ana!
Eliminar«São tão largas as noites
para a concisão de um corpo.
Tão escuro o sorriso que as pernas abrem
ao mundo.
E no entanto animal que passe
aloira-se nas águas e geme
de uma alegria que tem flores e frutos.»
Catarina Nunes de Almeida
vi ontem um melro, jazia na beira do passeio
ResponderEliminar«O melro, eu conheci-o:
EliminarEra negro, vibrante, luzidio,
Madrugador, jovial;
Logo de manhã cedo
Começava a soltar, dentre o arvoredo,
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
Que dá para o passal,
Repicando umas finas ironias,
O melro; dentre a horta,
Dizia-lhe: "Bons dias!"
E o velho padre-cura
não gostava daquelas cortesias.»
(cont.)
Guerra Junqueiro
Venho então ao passado, para falar do futuro. :)
ResponderEliminarQue seja um bom 2018, flor. Com tudo o que quisermos, ou, pelo menos, fazendo por isso.
querida luisa... agora deixou-me de sorriso tonto na cara. agradeço tanto esse abraço.
Eliminargosto muito de si. um abraço forte.
Que haja tudo o que pedes e um caminho onde não se te magoem os pés quando te apetecer caminhar descalça!
ResponderEliminarBeijos, Flor bonita. :)
minha querida Maria, gosto muito de ti.
Eliminarobrigada, beijos, muitos.