7.1.17

enquanto avanço e recuo nas páginas repletas de vestidos, malas e sapatos, experimento uma sensação absoluta de tranquilidade (ia escrever paz, mas não quero parecer exagerada). se a ignorância é meio caminho andado para alcançar este pequeno nirvana matinal, a futilidade encarrega-se de me fazer alcançar a meta. quase tenho vontade de prosseguir com um sonoro foda-se a vida dos outros, mas tal é o zen na ponta dos dedos, que mantenho firme a linguagem polida. em vez do jovem casal de grunhos que ontem apanhei no metro, ela com voz de carroceira, ele zumbindo como uma abelha, empanturrando o bebé de alcofa com pedaços de kit kat... /sim, deus que me perdoe, mas tive vontade de lhes agarrar nas cabeças sebosas e de lhes dar com elas na porta do metro, felizmente, sou apenas uma justiceira mental, ou estaria agora na esquadra a prestar declarações, sujeita a queixa-crime/; recuo: em vez do casal de grunhos de ontem, prefiro apascentar as vistas naquele grupo de homens, que desde cedo semeia a terra em frente. ou nos outros, perto, que continuam curvados, podando as videiras. isto, obviamente, enquanto vou namorando vestidos cintados, lingerie sem almofadas - abraçando o meu tamanho small -, e sapatos daqueles que não servem para os passeios de lisboa.

23 comentários:

  1. Sugiro que fundemos uma religião assente na adoração da futilidade. E não estou a ser irónica. Adoro a futilidade.

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    1. não sei bem se lhe sinto adoração (talvez venha a ficar viciada :), mas há na futilidade uma ausência de qualquer coisa, que me faz sentir tranquila. um alheamento sincero (o possível) à realidade.

      (aplicamos o dízimo, tudo para patrocinar o bem-estar espiritual das divindades fundadoras :b :b :b)

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    2. é a minha veia empreendedora. não critiques o que está na moda. pró ano vamos apresentar a ideia no web summit.

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    3. De facto, sem o dízimo não conseguimos patrocinar o luxo: as jóias, os vestidos, a decoração design, as festas.
      Repito-me: és um génio.

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    4. e nunca te esqueças do principal (que podemos até elevar a mandamento), o luxo terreno transporta as almas ao paraíso. amen! palavra da flor, glória à Cuca nas alturas :)

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    5. Inchalá também, que a nossa religião abraça todos os credos e carteiras.

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    6. E namasté! É preciso explicar ao mundo que estamos abertos a cordeiros advindos de qualquer outro anterior redil.

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  2. Eu também quero! Aliás, preciso urgentemente de doses elevadas de futilidade...
    Saravá!

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  3. Saravá, Irmã (estou a assistir ao teu baptismo em directo, ali na Igreja Universal da Futilidade)

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  4. Vou repetir o comentário que deixei na Cuca, porque a futilidade já me tolda o raciocínio e estou incapaz de escrever outro tão estupendaço como aquele:
    Eu tenho alguns conhecimentos, na óptica do utilizador, de maquilhagem, blogger outfits, cabelos cirurgicamente despenteados, acessórios sem pechisbeque e até cirurgia plástica. Serve?

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    1. A frivolidade esteja connosco, Irmã!

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    2. Assim neste blog, como em todos os outros! Amen!

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  5. é, então, uma irmandade/fraternidade aberta a toda e qualquer pessoa, que abrace a futilidade como meio de elevação espiritual?há matrículas, inscrições, envios pelo correio , ou basta denunciar intenção de adesão, aqui, neste espaço privilegiado de partilha? é que eu vivo noutro condomínio, e pode parecer mal, querer futilizar no quintal dos outros.
    obrigada. fico a aguardar.

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  6. há alguma cerimónia de iniciação, ou posso já começar a futilizar? inclui trabalhos de casa ou algum tipo de workshop, de vez em quando, para uma melhor competência nessa divina arte? posso evocar cursos e práticas anteriores como forma de me elevar mais rapidamente na hierarquia? (há hierarquia, não há?)
    aguardo, de novo.
    obrigada.

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    1. minha jovem Irmã, eu sou apenas a tesoureira e cofundadora. a sacerdotisa dos rituais é a Cuca. curso, workshops e questões de hierarquia é coisa da Palmier (também artista maior da Igreja)

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  7. divina guru com funções ao nível do nomeadamente, tenho que me dirigir em papel selado (que já não há, mas vou tentar arranjar, se preciso for)a tão altas dignatárias, ou digo que vou daqui?
    em retirada humilde, mas carregada de futilidade.

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    1. ahahahahahaahahhaha!

      nada de humildades, Irmã. no fútil é que está o ganho :))

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