se as palavras tivessem facas e me cortassem os lábios, a língua, as mãos, ao tentar segurá-las na boca,
e se as facas, afiadas, ao dilacerar a carne, escondessem a dor dentro das palavras,
então eu escreveria
14.1.17
está cada vez mais difícil preencher esta página vazia
e não é por falta de tentativas
sugestões temáticas para curtas dissertações, choro zen de palavras, procura do equilibro linguístico-emocional são bem-vindas.
isto é uma colagem aos discos pedidos. vocês sopram uma ideia e eu aproveito-a para divagar com o teclado (parecendo assim que sou muitíssimo imaginativa e interessante).
excelente tema, I. hoje a drª não está de serviço, mas tentarei eu mesma arengar umas coisas sobre o assunto em apreço, logo que termine de tratar dos animais, comer as minhas duas laranjas, tomar o meu café da semana em chávena de porcelana (escaldada), pôr uma máquina de roupa a lavar, ainda não decidi se a da roupa interior, toda tão velha e rasca, se a da roupa de fora, que vai pelo mesmo caminho, mudar a areia ao Dr. Gato, que nunca mais saiu da despensa, onde vive quentinho a comer, dormir e miar (sem problemas, que a despensa é maior do que o meu quarto da faculdade, e muita coisa engraça aconteceu por lá, embora - primeira referência ao tópico - já não me lembre de quase nada). não sou saudosista, confesso, mesmo quando os tempos foram bons. é como se não tivesse a habilidade de reviver ou sou simplesmente uma insensível do catano. por tanto, o fracasso no esquecimento não se me aplica grandemente (já nem falo no pagamento dos seguros, que deixo passar o prazo, ou a conta da água, etc, etc, etc). mas falarei de tudo isso, se não me esquecer, quando regressar dos afazeres domésticos, agrícolas e religiosos (... ok, confesso, exagero um pouco, acelerar em frente à igreja para ver o pessoal às caralhadas à porta da casa do senhor, talvez não se possa considerar serviço religioso, mas tem o seu quê de libertador), quando regressar, amigo I, dissertarei, com uma verdadeira académica, que se exibe à plateia, do alto do seu vasto conhecimento e referências bibliográficas, sobre isso, essa coisa do fracasso do esquecimento, essa faca aguçada, que roça o osso do externo, quando nos esquecemos de esquecer. talvez demore um pouco mais do que o esperado, porque há um tanque de água bem temperada onde deverei esfregar o tarro do corpo e mais um pouco de vida para deslembrar.
Se calhar isto é apenas o reflexo extremo do desejo expresso no post anterior. Não se deve desejar nunca ficar sem palavras. Mas também não acredito muito que o problema esteja na falta delas. É provavelmente do frio que se faz sentir e que as deixa aninhadas, pequeninas, muito sossegadinhas junto ao fogo. Logo, logo começam a esticar-se. :)
minha querida luisa, a menina ficou foi com tudo, quando deus e os anjos distribuíam os atributos aos mortais. a menina fotografa com olhos santificados e escreve humano como eu gosto de ler. pois faça o favor de acordar as ociosas que se aninharam na sua lareira, pô-las no intercidades até santa Apolónia, que eu mesma as irei buscar. onde já se viu, as lordes a xonar ao lume, quando eu, - ai, mundo cruel! pobre de mim! - não tenho nenhuma aqui deste lado para me aquecer os pés!
"I’ll be back", obviamente, ana. então mas há dúvidas? eu estraboucho, acinzento, enegreço, desapareço, perco-me, arrefecem-me os pés, acabo por voltar. algumas palavras, piedosas (e minguadas), regressam comigo.
não, não sofres! (pois não bastava a lista de autores e a vaca sagrada, ainda me roubas as maleitas também?! mas que diabo!!)
[há pouco pensava, será que passou a minha vez? é bem provável. todos espaços têm um determinado tempo para cada pessoa. é como aqueles bares onde íamos quando tínhamos 18 anos, depois os outros, quando tínhamos 30, hoje já não nos fazem muito sentido. será o mesmo com esta blogosfera? ou será apenas uma reza mal feita da Palmier, que agora anda armada em curandeira e mãe de santo?]
amigo Mau-Tempo, para quando um aumento considerável da temperatura, tão considerável, que as moças poderiam despir as vinte mil camadas de algodão escuro e passariam quase desnudas à sua frente. sabe que eu acho que o frio, quando constante, pode alcançar-nos a alma, lá, naquele ponto negro onde somos apenas nós e que passamos a vida inteira à procura. o sol e o calor são a verdadeira felicidade. isso e os biquínis.
Maria, moça, estás proibida de beber ao sábado à tarde! imagina se, em vez de teres vindo parar aqui - onde tudo se perdoa e esquece, tinhas entrado no site das finanças??
água com gás ajuda à digestão da mesma forma que aquela pomada que bebeste ontem pela hora do chá ;)
claro que sim. hei de reflectir sobre a problemática disso do fim de semana, mais propriamente o que significa, uma vez que as minhas semanas têm sido 7x7. ai as saudades de ter um livro para ler e não o fazer :))
Não precisas de nada disso. Os teus esforços, maiores ou menores, produzem sempre enormes resultados.
ResponderEliminarcredo... isso lido com tom irónico até nos rins me dói :(
Eliminaró Blue, um pouco de ternura, pá.
Mas... mas... irónico?
EliminarMeu amor, minha mais querida, sabes quanto amo a tua escrita? E a ti?
(Já está de bom tamanho? Também não me apetece passar por fufia.)
minha doçura de alcaçuz, a dor já foi infligida. é esperar que passe...
EliminarO que é o equilíbrio linguístico-emocional? :)) escreve mesmo sem o tal "equilíbrio" :))
ResponderEliminarmoça! tu não me faças perguntas difíceis!
Eliminaristo é uma colagem aos discos pedidos. vocês sopram uma ideia e eu aproveito-a para divagar com o teclado (parecendo assim que sou muitíssimo imaginativa e interessante).
Drª Flor,
ResponderEliminarPode, por favor, do fundo desse seu falso hebetismo, dissertar-nos sobre o fracasso do esquecimento?
Muito grato.
excelente tema, I. hoje a drª não está de serviço, mas tentarei eu mesma arengar umas coisas sobre o assunto em apreço, logo que termine de tratar dos animais, comer as minhas duas laranjas, tomar o meu café da semana em chávena de porcelana (escaldada), pôr uma máquina de roupa a lavar, ainda não decidi se a da roupa interior, toda tão velha e rasca, se a da roupa de fora, que vai pelo mesmo caminho, mudar a areia ao Dr. Gato, que nunca mais saiu da despensa, onde vive quentinho a comer, dormir e miar (sem problemas, que a despensa é maior do que o meu quarto da faculdade, e muita coisa engraça aconteceu por lá, embora - primeira referência ao tópico - já não me lembre de quase nada). não sou saudosista, confesso, mesmo quando os tempos foram bons. é como se não tivesse a habilidade de reviver ou sou simplesmente uma insensível do catano. por tanto, o fracasso no esquecimento não se me aplica grandemente (já nem falo no pagamento dos seguros, que deixo passar o prazo, ou a conta da água, etc, etc, etc). mas falarei de tudo isso, se não me esquecer, quando regressar dos afazeres domésticos, agrícolas e religiosos (... ok, confesso, exagero um pouco, acelerar em frente à igreja para ver o pessoal às caralhadas à porta da casa do senhor, talvez não se possa considerar serviço religioso, mas tem o seu quê de libertador), quando regressar, amigo I, dissertarei, com uma verdadeira académica, que se exibe à plateia, do alto do seu vasto conhecimento e referências bibliográficas, sobre isso, essa coisa do fracasso do esquecimento, essa faca aguçada, que roça o osso do externo, quando nos esquecemos de esquecer. talvez demore um pouco mais do que o esperado, porque há um tanque de água bem temperada onde deverei esfregar o tarro do corpo e mais um pouco de vida para deslembrar.
Eliminargrata pela sua participação.
(credo... portanto, separado... !!!???!!! a falta que faz uma boa instrução....)
EliminarSe calhar isto é apenas o reflexo extremo do desejo expresso no post anterior. Não se deve desejar nunca ficar sem palavras. Mas também não acredito muito que o problema esteja na falta delas. É provavelmente do frio que se faz sentir e que as deixa aninhadas, pequeninas, muito sossegadinhas junto ao fogo. Logo, logo começam a esticar-se. :)
ResponderEliminarminha querida luisa, a menina ficou foi com tudo, quando deus e os anjos distribuíam os atributos aos mortais. a menina fotografa com olhos santificados e escreve humano como eu gosto de ler.
Eliminarpois faça o favor de acordar as ociosas que se aninharam na sua lareira, pô-las no intercidades até santa Apolónia, que eu mesma as irei buscar. onde já se viu, as lordes a xonar ao lume, quando eu, - ai, mundo cruel! pobre de mim! - não tenho nenhuma aqui deste lado para me aquecer os pés!
tenho dito.
e frase do dia, qual é?
ResponderEliminar"I’ll be back", obviamente, ana. então mas há dúvidas? eu estraboucho, acinzento, enegreço, desapareço, perco-me, arrefecem-me os pés, acabo por voltar. algumas palavras, piedosas (e minguadas), regressam comigo.
EliminarMay the Force be with you, minha querida ana.
boa noite,
EliminarI'll be back
queria por favor ler sobre almas desencontradas
obrigada
:b
Eliminartoda a gente sabe que as almas são como as meias, difícil é encontrar o par.
Sofro do mesmo.
ResponderEliminarnão, não sofres!
Eliminar(pois não bastava a lista de autores e a vaca sagrada, ainda me roubas as maleitas também?! mas que diabo!!)
[há pouco pensava, será que passou a minha vez? é bem provável. todos espaços têm um determinado tempo para cada pessoa. é como aqueles bares onde íamos quando tínhamos 18 anos, depois os outros, quando tínhamos 30, hoje já não nos fazem muito sentido. será o mesmo com esta blogosfera? ou será apenas uma reza mal feita da Palmier, que agora anda armada em curandeira e mãe de santo?]
quero ouvir as janeiras faxavor, tenho de dizer a frase?
ResponderEliminarquem?!
Eliminaramigo Mau-Tempo, para quando um aumento considerável da temperatura, tão considerável, que as moças poderiam despir as vinte mil camadas de algodão escuro e passariam quase desnudas à sua frente. sabe que eu acho que o frio, quando constante, pode alcançar-nos a alma, lá, naquele ponto negro onde somos apenas nós e que passamos a vida inteira à procura. o sol e o calor são a verdadeira felicidade. isso e os biquínis.
boa noite outra vez. desculpe interromper
EliminarI'll be back
também gostava de ler sobre a geada negra.
obrigada
a geada negra é gelo com cinzas dos anjos, que ardem nas noites frias.
EliminarEste canto é tão bom!
ResponderEliminarBeijocas, flor :)
Maria, moça, estás proibida de beber ao sábado à tarde! imagina se, em vez de teres vindo parar aqui - onde tudo se perdoa e esquece, tinhas entrado no site das finanças??
Eliminarágua com gás ajuda à digestão da mesma forma que aquela pomada que bebeste ontem pela hora do chá ;)
desejar bom fim de semana, conta como mote para a coisa?:))
ResponderEliminarMia, Mia, simpatia!
Eliminarclaro que sim. hei de reflectir sobre a problemática disso do fim de semana, mais propriamente o que significa, uma vez que as minhas semanas têm sido 7x7. ai as saudades de ter um livro para ler e não o fazer :))
(prometo resposta a todos - grata desde já - mas agora morro de cansaço.)
ResponderEliminaró estupida!!! VAI DORMIR!
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