4.1.17

Melissa Honey, esse vegetal amarelo, gravita à minha volta, lembrando-me de todas as tarefas em atraso. urgente! urgente! repete em voz enjoada. Melissa, querida, estou a trabalhar há* doze horas seguidas, pelo amor à santa dos azulejos, cala-te um bocadinho. Melissa não se azeda nos meus azeites, oferece-me um caramelo. mando-a sentar, sossegar a passarinha. doem-me as costas, dói-me a cabeça, em breve há de soltar-se um espirro. estendo a mão ao Fernando e peço-lhe ajuda: poeta, ou absinto ou poesia.
Um dia, no fim do conhecimento das coisas, abrir-se-á a porta do fundo, e tudo o que fomos — lixo de estrelas e de almas — será varrido para fora da casa, para que o que há recomece, responde baixinho.

*obrigada, Blue

9 comentários:

  1. Acabo de me lembrar que a minha inútil orquídea foi substituída por um bonsai que ainda não tem nome.

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    1. ... assassina...

      (bonsai é tão anos 90, tsss, tsss)

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    2. Estava em saldos. Espero que seja dos anos 90, sim. :)
      Já sei... Vou chamar-lhe Bashô!

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    3. ahahahahah! intelectualóide :b

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  2. A Melissa tem passarinha? Ai, a fresca!

    Um dia recomeça-se. Um dia...

    Beijos, flor bonita :)

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    1. uma passarinha chilreante :))

      um beijo enorme, Maria Poesia.

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  3. Bons dias! Gosto muito dos textos do blog. vivos, fluidos e volúveis no sentido em que propõem as interpretações. Grato.

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