12.2.17

havia os que escolhiam esmagar os dedos, inutilizando-os em bolas de carne escura. gozavam a dor em urros lancinantes. eu sempre preferi cortar a carne em finos golpes de lâmina afiada, numa dosagem silenciosa. não lhe chamaria arte, mas havia um jeito próprio, um traçado meticuloso na forma de talhar o golpe.
com o tempo, os drogados começaram a invejar-me a intimidade com as agulhas e os pirómanos tremiam, excitados, vendo as labaredas lamber-me as palmas das mãos.
conduzia em círculos apertados até vomitar o álcool da manhã. julguei que morria, olhando-me cadáver ao espelho.
nunca fui tão forte, como naqueles dias.