12.2.17

os campos estão alagados, não precisava de ter calçado as botas de borracha, manhã cedo, e percorrido o pântano verde, para constatar o que tão facilmente se vê da janela. o laranjal, pérola constante do meu horizonte onírico, parece suspenso num lago de lama. no cume do vale, o nevoeiro compõe a manhã de domingo.
este é o meu dia santo, negociado há várias semanas com o mercador do destino. hoje todas as horas serão minhas e delas farei o ócio mais prazeroso que conseguir. tomado o pequeno-almoço, um luxo comprado na loja de conveniência, onde normalmente só me lembro dos gatos, há-de seguir-se o mergulho no tanque, várias horas de contemplação da chuva e a nobre arte da ornitologia.