2.2.17

tenho a Sylvia, numa das suas capas escuras, edição esgotada, pedindo para ser lida, mas estou demasiado cansada e temo quebrar o vidro da campânula, quando, daqui a pouco, regressar a casa.

«Foi um Verão estranho e sufocante, aquele em que electrocutaram os Rosenberg. Estava então em Nova Iorque sem saber ao certo porquê. As execuções incomodam-me. A ideia de se ser electrocutado dá-me volta ao estômago, e os jornais não falavam de outra coisa: cabeçalhos atrás de cabeçalhos olhando-me esbugalhados em todas as esquinas e entradas de metro tresandando a amendoim. Embora nada daquilo tivesse a ver comigo, não conseguia deixar de imaginar como seria ser queimado vivo até à mais ínfima parcela do nosso corpo.
Deve ser a pior coisa do mundo

e não passei daqui.