14.3.17

é à noite que encontro o que resta da minha humanidade, aquela que acredito ser e reconheço em mim desde sempre. alimento os animais, limpo-lhes as caixas, acarinho-os e observo-lhes a felicidade sincera de nada mais viverem para além do momento. todos eles, de uma maneira ou de outra, foram abandonados à sua sorte, alguns em condições execráveis. salvando-os, salvo-me a mim própria. sei-o e não o escondo. vale o que vale.
não deixarei descendentes, pequenos eus que me perpetuem o sangue e as maneiras. findarei em mim própria. salvam-me os bichos, conservando-me alguma humanidade.

8 comentários:

  1. Acredito que bichos e flores são bons elementos condutores para a salvação.

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    1. talvez porque nada esperemos deles.

      um beijo, doce luisa

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  2. Há tantas formas de nos salvarmos, querida Flor. A sua é muito nobre.

    Um abraço

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    1. não sei se é nobre, mas tem sido uma boa razão para regressar a casa.

      um abraço enorme

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  3. Revejo-me nisto. À excepção deste último, todos os animais que acolhi, até hoje, foi nessas condições. Até um pássaro, bicho por quem não nutro especial incondezilha, adoptei certa vez, porque enfermo de asa me veio parar à porta do prédio... e também sempre me senti, se não mais humana à beira dos bichos, mais próxima da humanidade deles.

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    1. gosto de saber que não sou caso único :)

      Lady Kina, obrigada.

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  4. também quero um final assim, e encontrar a humanidade numa manada de ovelhas... faxavor!
    (nunca acredito que realizem os meus desejos, ainda estou a pensar se sonhei ou se pedi mesmo que abrisses a caixa :))

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