4.3.17

republico o post de Vital Moreira pela mensagem, sempre urgente, mas também pela imagem que a tantos parece dar prazer. não é a morte* que aqui me incomoda. um dia, creio, também nós fomos presas de um caçador maior, -- hoje, à falta desse elemento agregador da espécie, matamo-nos uns aos outros --, o que me incomoda, o que verdadeiramente me entristece, é saber que há seres humanos que nos seus momentos de lazer - pais e filhos - vão assistir a este espetáculo de sofrimento e crueldade, chamando ao que é bárbaro, a nobre arte de tourear. em casa dão festas ao tareco, nas bancadas da praça aplaudem a tortura aos touros.

habituada à hipocrisia de um país de aparências, ainda assim, não entendo o porquê de tamanha contradição. à falta da desculpa das políticas da direita, o que falta à esquerda para fazer agora o que já devia ter sido feito? valerá assim tanto o PCP?




*aceito a discussão sobre a forma, também bárbara, de como criamos e matamos os animais para comer, mas tendo essa morte propósitos diferentes, não creio que se deva confundir os assuntos.

10 comentários:

  1. Às gerações vindoura custará acreditar que nas gerações anteriores a si houve um espírito depravado e aviltante desta natureza. Do mesmo modo que hoje nos custa a acreditar na bárbara satisfação que tinham os romanos pela dilaceração dos gladiadores na arena.

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    1. confesso que julguei que "a coisa" acabasse mais depressa. mas Portugal é um país de velhos.

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  2. É a lei mais hipócrita de que tenho memória.
    Note-se que eu discordo, na quase totalidade, das alterações legislativas que foram feitas nesta matéria. Aliás, já as anteriores, com as criminalização dos maus tratos a animais, são o perfeito exemplo da má técnica legislativa. Mas se a ideia é fazermos de conta que somos todos muito evoluídos e civilizados, é completamente incompreensível que as touradas se tenham mantido. A tradição e a cultura não são argumentos bastantes para explicar porque é que o dono que dá um pontapé no próprio cão comete um crime e a malta que organiza a chacina dos touros, e que a leva a cabo, é um artista com direito a palco na televisão pública.

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    1. tal e qual. para ironia das ironias, os nossos impostos, que pagam a tv pública, acabam por servir para alimentar também esta vergonha.

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  3. "saber que há seres humanos que nos seus momentos de lazer - pais e filhos - vão assistir a este espetáculo de sofrimento e crueldade, chamando ao que é bárbaro, a nobre arte de tourear"

    - está tudo dito, em meu entender. Como referes, e bem, não é a morte que está em causa, e a conversa de que matamos para comer é, neste contexto, para boi dormir, trata-se aqui de provocarmos o sofrimento para dele retirarmos prazer, e orgulho. Pavoroso.

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    1. a gente da tourada, talvez para acalmar a consciência, refugia-se nesse argumento. que nós, os carnívoros, também promovemos a matança de animais. é verdade (e um assunto premente, tais são as suas repercussões em termos de sustentabilidade), mas não confundamos os assuntos e as intenções.

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  4. enquanto uma determinada classe de imbecis reinarem, tudo lhes será permitido... fazer...

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    1. o povo, nós, é tão culpado como quem reina, Manel. a tourada mantém-se para "animar a malta".

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  5. Resta-me a esperança que os nossos filhos sejam mais inteligentes que nós, os meus educo-os nesse sentido. De todas as aberrações que os governos consentem, esta é mais uma que não entendo.

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    1. - como me dá asco, ver pais que levam crianças para uma coisa daquelas, Be.

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