22.4.17

a senhora da bata às riscas diz-me que a banheira, meu pouso divino, lhe faz lembrar um caixão. deus a livre de tomar banho deitada! sorrio-lhe e asseguro-lhe que aquilo é do melhor que há. vira costas, de vassoura na mão, dizendo que nem pensar.
o formato será o de um caixão, não nego a evidência, mas aquele retângulo branco sempre se me assemelhou à barriga de uma boa mãe; outras vezes, o submarino onde navego. faltando-me no tecto a saudosa Milu, opto agora por me concentrar nos veios do mármore em frente, procurando novas geografias cartografadas, mundos onde as vontades possuam existência.
ouço o aspirador e lembro-me de que tenho de ir. também para mim hoje é dia de jorna.