22.4.17

deixei o espaço onde homens - e escassas mulheres - mediam o tamanho do ego pelo valor do símbolo e rumei à livraria*. no terreiro, dois miúdos faziam corridas velozes nas suas bicicletas com rodinhas, rindo à gargalhada. 


/*saudades, tantas, dos meus alfarrabistas e do silêncio da procura. nas livrarias, mulheres iguais, urbanas, cultas**, irritantes, falam alto, sem pudor, dos livros dos escaparates e de alguns dos seus autores***, com uma arrogância-ignorância que me dá vontade de as mandar calar. não saberão que ali, no meio dos livros, estamos em permanente oração?/


/**aquele tipo de mulher que faz do vestuário aborrecido, sapatos ortopédicos, cabelos nunca pintados ou arranjados  - nem olhos, lábios ou unhas -, o seu manifesto à primazia intelectual***./



/***diz uma delas: Ando há tanto tempo para ler este escritor, mas depois compro sempre outros livros, não sei porquê. Já leram? Tem aqui tantos livros. --- este escritor era Saramago...  --- não são mais cultas, alguém que lho diga com jeito, são apenas mais sem graça./