30.4.17

estamos as três junto da janela grande do escritório. taeko marfando no pote - gulosa como só ela -, yukiko de vigia, perscrutando o verde do vale, em busca de algum movimento, e eu, confesso que surpreendida pela sintonia da chuva obliqua que teima, com a minha disposição. talvez o café me limpe o amargo da boca. engolir a verdade, quando não estamos sequer dispostos a ouvi-la, é coisa para nos roubar muito mais do que o sol de domingo. felizmente, o gato mia, berra-me que lhe acuda com comida. tudo o resto pode esperar.