20.6.17

há demasiada raiva dentro de mim, que nasci e cresci pertos dos pinheiros e das gentes do campo. acumula-se todos os anos mais um pouco deste fel. hoje, se não fosse pela réstia de bom-senso que a experiência de vida me trouxe, mandava aqueles imbecis, corruptos e incompetentes - que não agem, reagem: tarde demais - todos prá puta que os pariu. não mandando, porque de nada me vale, senão acender um rastilho nesta selva virtual, onde as pessoas de bem - especialmente aquelas que se acham com piada ou verve no teclado- vêm dar lições do politicamente correcto e agradável, resta-me, a mim e a vós, continuar a assistir de bancada à destruição e à morte  daquilo e daqueles que neste país sempre tiverem o menor valor, |os d|o interior rural.

28 comentários:

  1. Ah!, a medida do(s) valor(es)...
    Apesar da abundância de piada e de verve, continuo triste.

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    1. ninguém quer verdadeiramente saber do interior rural.

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  2. Assim que as brasas arrefecerem passa-se ao esquecido de novo. Os imbecis, os corruptos, os incompetentes e até as pessoas de bem irão para a praia descansar. Os outros, os que sobreviveram continuarão onde ninguém quer saber.

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    1. "assim que as brasas arrefecerem..." uma e outra e outra e n vezes...

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  3. Quando parece que está tudo bem ninguém se indigna... nunca nunca isto está bem inclusive fingir que esta tudo bem.

    Ainda não estou triste.

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  4. Dir-se-ia que surgiu uma nova 'azinheira', que tudo desculpa.

    Boa noite, flor.

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    1. não sei se pensamos o mesmo, mas foi das melhores metáforas que já li.

      um abraço enorme, Teresa.

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  5. Quando não é isso é outra coisa qualquer. Há sempre o abrigo de um verso, uma frase que não saberíamos esvrever, uma sombra curiosa na parede, uma música nova, qualquer coisa.

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  6. eu é que também estou no tinto (o gin, é raro, e sempre na fórmula mais simples, próxima do original) e, francamente, os "políticos" 'daqui' que vejo dar de frosques para a capital, querem saber da carreira política mais do que do 'interior desertificado'.

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    1. mulheres, vinho tinto com este calor?...

      na verdade, isto tudo é mais do mesmo. mesmo quando se deu uma chacina destas, eles abraçam-se e dizem que tudo foi feito. é insano.

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    2. É insano, sim. Desumanamente insano.
      Parece que também eles, os que podem decidir, andam a dar forte e feio no vinho.
      Já o Outro Ente mo havia aconselhado. Boa ideia. Também eu vou beber vinho.

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    3. vinho, também tu, com este calor? (eu prometo que não coloco pétalas de rosas e essas mariquices no teu gin)

      continuo a ler as noticias, desde bombeiros galegos impedidos de ajudar, ???, um avião que se diz que caiu, afinal nao caiu, uma descoordenação total, para nem falar na questão da GNR naquela estrada. é no que dão a merda dos tachos.

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    4. Pá, eu já devo estar bêbada e não sei... Ouvi agora a ministra a dizer que recusou os galegos porque esta situação não se compadece com "voluntarismos"... Palavras dela... (90% dos nossos bombeiros são voluntários, até é irónico o jogo de palavras) diz que não se tinha capacidade para gerir tanta gente, que podiam morrer pessoas... (Ironia, outra vez)
      Porra... Nem que os galegos servissem para render 60 dos nossos que estão naquele inferno desde sábado... Está tudo bêbado...

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    5. se não fosse tão dramático, seria cómico. caramba, merecemos mesmo esta cambada?

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    6. Tachos. Tudo tachos. Tudo compadrios. Todos iguais. Como é que se sai desta pescadinha de rabo na boca?

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    7. (Não flor, não merecemos. Acho eu.)

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    8. não se sai, saímos nós. não admira que sejamos um pais de emigrantes. esta porra nunca vai mudar. e é esta previsibilidade macabra que me deixa maluca. como é que isto se aguenta?

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    9. não sei se não merecemos, vivendo nós em democracia (cuja sagrada Constituição foi sabiamente escrita para defender a corja)

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    10. Pois. Não vamos sair disto nunca. E no fundo merecemos porque comemos e calamos.

      (Conheço o secretário de estado, por sua vez grande amigo de Vara, e te garanto que tanto percebe o primeiro de incêndios e de gestão florestal, como o segundo de economia, como eu de lagares de azeite.)

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    11. (mas olha que novidade me dás, NM, eu quase ia jurar que tu até exportavas azeite prá China e vens-me agora dizer uma coisa dessas. é que não se nota nada...)

      (que raiva me dá isto tudo)

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    12. Também eu nasci e cresci no interior rural... Um inferno a cada verão. Over and over again... Nunca, nunca, ninguém quis saber. Também eu carrego muita raiva. E não é de agora, por estas almas que agora derreteram. É porque nunca, nunca, ninguém quis saber...

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    13. «E não é de agora, por estas almas que agora derreteram. É porque nunca, nunca, ninguém quis saber...»

      é isso, NM

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    14. Beijinhos, flor. Tem uma boa noite.

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    15. obrigada, NM. mesmo.

      um beijinho.

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  7. Também eu (46 anos) passei todos os Verões da minha vida numa aldeia da Beira Interior. Desde que me lembro de ser gente que os incêndios existem na minha vida. Nas trovoadas secas (sim que as há), ali na cova da Beira era quase certo. Os dias muito quentes, muito abafados, o céu negro, negro (e ainda nem havia fumo) e lá vinha ela. E depois à noite ninguém dormia. As chamas, o cheiro, o fumo...
    Se tenho raiva. Não, não tenho raiva nenhuma. A raiva, deixo-a para aqueles do meu coração. A quem me diz, porque só me chateio com quem realmente merece a minha atenção.
    Atirar com as culpas para os outros, dizer que o governo, quem governa, etc, que são todos podres, cobardes, corruptos. O que é que isso interessa? O que é que isso acrescenta ao que todos sabemos?
    Ah, e se acham que a única maneira de se livrarem desta cambada é emigrar, então aconselho a emigrar para a Lua, ou para Marte. Não pensem que haverá algum sitio no planeta em que as coisas sã feitas de forma correta e humana. Porque não há. Em todo o lado os interesses são os mesmos, e se não arder tanta floresta no interior outras coisas piores acontecem noutros sectores.
    Portanto o conselho é:l
    Arranjem um foguetãozinho e vão para Marte (não sei se na Lua não estará já alguém - e se assim for já está corrompida). Ou para mais longe. Se não querem corrupção, cobardia e podridão têm de ir para longe, muito longe.

    Ass: Anónima que já está mais que farta da mania que só em Portugal é que é assim e é que há podridão

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