9.6.17

todas as tardes de sexta-feira são iguais, mas a felicidade instantânea dos que têm uma vida para além desta vida deixou de me incomodar. agora observo o bêbado apoiado nas muletas velhas, tentando gestos de arrumador, as raparigas do salão, rindo, de cara cansada, e as do café, quase todas amuadas, o velho das chaves, que raramente se encontra, a rapariga que rói as unhas e ao fim de semana reveza o tio na sapataria, a senhora da farmácia, tão simpática e perfumada, o rapaz manco que trabalha na loja do chinês e baixa a cara sempre que o cumprimento, como fazem os rapazes tímidos da aldeia, e percebo quão pequeno era o meu mundo antigo, nas distantes avenidas.