25.9.17

ah, grande tragédia hoje a minha, de passo corrido, a cestinha a dar a dar, que o poeta não se há de demorar na bancada dos enchidos, cem gramas de fiambre são segundos a fatiar, e eu perdida nos iogurtes, tanto queijo, que perdição, e elas todas, fêmeas de almas insensíveis, encharcadas de volúpia, a dificultar-me o caminho. quando cheguei, numa das mãos a caixa das uvas sem grainha para lhe oferecer, creio que ainda o vi, perdendo-se na multidão do frango assado com molho de limão e piripiri caseiro. foi então que a cigana se me chegou, menina, diz-me quanto custa este pão, que eu não sei ler?, e eu, tomada pela cara envergonhada da mulher, deixo escapar de vista o meu doce poeta e avanço para a prateleira.
Para trás ficaram portos,
ilhas,
lembranças,
cidades,
estações do ano.