5.10.17

Alimento a esperança de que um dia chegarei a casa com as mãos cheias de ventos. Para já, continua a escapar-me entre os dedos. 

                                                                                                                                      Tétisq


há duas noites que me deito com as almas de vento dançando nos canaviais. entrelaçam-se em correntes frenéticas que me assustam, bramindo como o vale lhes pertence. os cães, sentindo-lhes a presença, atiram-se de dentes afiados num ladrar continuo. o medo que se apodera das minhas pernas e do coração que dispara no peito não me impede de as procurar na escuridão da varanda. ouço-as, mas continuo sem lhes conseguir responder. o vento é a alma dos mortos.