16.12.17

convencida pela voz opressora da consciência social, enchi-me de coragem e roupa quente e rumei ao pior lugar do mundo num sábado à tarde, a uma semana do natal. a multidão, constituída largamente por famílias completas, inundava o espaço com rapidez e planos traçados desde cedo, já eu, raquítica pessoa que detesta este natal, saltitava entre as clareiras que se iam abrindo na selva comercial, não me livrando por vezes de ser travão humano de carrinhos a abarrotar. nos rostos, (tal como eu), aquela gente, já especialista em buscas e achamentos, trazia apreensão, a maioria um visível descontentamento. chega a ser hilariante perceber a ginástica dos remediados nas compras de natal.

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não me venha o excelso leitor com os seus iluminados moralismos, que eu, há muito, me incluo na dita classe social.