2.1.18

na segunda noite do novo ano, depois de uma longa insónia, sonhei com a guerra nuclear e o fim do mundo. a explosão gigante a cegar-me os olhos, lá ao fundo, no horizonte, eu a fugir com as cadelas, entre centenas de pessoas, por um carreiro íngreme, em precipício, nas montanhas. o medo de deixar cair os animais e a pressa de chegar a algum lugar seguro - não sei para onde caminhava - misturavam-se no meu sonho. antes de acordar, lembro apenas a onda de luz que nos cobriu a todos.
acordei sem grande alívio, taciturna, lendo no sonho uma visão - pensamento que me atormenta há dias -, se a matemática da morte se mantiver na minha vida, este será o ano em que perderei alguém muito próximo.