6.2.18



 Iconography From The Album The Blue Notebooks



notas azuis, soltas, prendendo-me ao fundo do mar onde constelações de cavalos-marinhos e estrelas de mil cores explodem dentro de mim, na minha mente, na minha alma, líquida, no meu ser, e eu gritando como quem nasce, gritando como quem morre, o frio nos meus olhos, a mão procurando o pai, o irmão, a queda vertiginosa, o fim ali ao fundo, o estrondo, combate final, os ossos quebrando, rasgando a carne, válvulas, veias, vértices, tendões, os fios de sangue, sulcos, e então o medo dando lugar à paz da imutabilidade, e as sereias em côro depois, cântico, oráculo, tristeza, saudade, certeza de que a vida é curta como o riscar de um fósforo, a lâmina cravando-se na raiz da existência, crua, em milhões de voltas, flutuando nas ondas do corpo materno. mar, mãe, cama, ventre, vida, vento, solidão. correndo pelas ruas desertas da madrugada, numa cidade do norte do mundo, ninguém me vê, ninguém saberá de mim, as minhas mãos fervem. ácido. sou invisível porque me fiz poeira no voo de um beija-flor. nada agora, apenas o silêncio do azul no espelho da parede.