1.3.18

março entrou montado no seu cavalo de vendaval e ribeiras a transbordar. trouxe a chuva felina e com ela as esperas vertiginosas por um raio de sol. chegou feroz, assobiando nas chaminés, rugindo nas dobradiças dos portões, sibilando o inverno mortal nas folhas das árvores. em breve, das cheias hão de nascer as securas que me gretam as mãos e me atacam o fígado devagarinho. triste março, este março que me afasta, rude, da boca do meu poeta azul e encerra mais um dos meus espaços de oração: a pó dos livros