28.3.18

não me convencem os homens com a história da ressurreição à direita do pai, no terceiro dia. digo-lhes, renascemos nós todos, cristo também, se nos derem o corpo à terra para que de putrefacção se transforme em composto orgânico, húmus onde se gera a vida. é a única comunhão em que acredito, não me comovem outras liturgias, cantadas em nome de deus.
quando eu findar, que se erga de mim um silvado de rosas-mosqueta, ou, por que não, um zângão cobridor, numa ode a fibonacci. em vez disso, aposto, hão-de cobrir-me a sepultura com uma pedra tumular feia e estéril. renascem os cães e os gatos, mas eu não.