16.3.18

senti-me uma Thoreau dos tempos modernos, Jolly Jumper trotando na estrada estreita, outrora caminho de cabras e ovelhas decerto, os máximos indicando o destino, quando o vejo pousado no chão: Mokambo*. guinada à esquerda, que o bicho parecia colado ao alcatrão, e eis que Jolly Jumper, com os seus cascos angelicais, quase trucida um coelho, igualmente estático, quiçá em fervoroso namoro com a ave. não será fácil também para a bicharada esta coisa do multirracial, imagino o preconceito de ambas as famílias, os Athene noctua e os Oryctolagus cuniculus, preocupadas com o bom nome de cada uma e as descendências vindouras. e então será isso, corações palpitando, os dois encontram-se naquele caminho, madrugada alta, quando todos dormem, menos esta que aqui vos tecla. imagino-lhes o susto, Mokambo, atarracado como sempre, levantou voo e rasou a fuça de Jolly Jumper, Bugs Bunny activou as molas do traseiro e desapareceu por entre o mar de erva. espero que voltem e se forniquem à exaustão dos seus pequenos corpos, porque o mundo precisa é de amor e fricção. 


 /*para mim, qualquer mocho-galego que apareça será sempre Mokambo/