21.4.18

Deixei-me ficar aninhada na cama, obrigando o dia a esperar. Da mesma forma misteriosa que as insónias me castigam às vezes, outras sou eu a mandar o corpo apagar, e ele apaga. A fuga atrasou-me o trabalho, mas nem assim abdico de vir à banheira, onde há uns olhos de cão azul à minha espera. Somos velhos conhecidos, não há constrangimento, nem pudor. Entrego o corpo à água, levo o dedo à boca, molhando-o, e toco-lhe devagar.