15.4.18

Jasmim, o andrógino de longos cabelos louros e olhos de avelã, está apaixonado pelo mocinho da pastelaria, um mulato lento de língua afiada. vai daí, a toda a hora me pede companhia para ir beber um café, bebida que o deixa ainda mais nervoso, um tremelique que o pobre disfarça a custo. o outro, experiente na arte do flirt social, vai fazendo charme pelo espelho, enquanto embrulha as meias-leite, tal é a vagareza. Jasmim deixa-se encantar, sente-se correspondido no desejo do que poderá acontecer. está escrito nas estrelas ficarmos juntos, segreda-me, e nos búzios também. os olhos prometem-se, as mãos fazem planos, ávidas, a timidez das palavras vai-se dissipando e Jasmim atreve-se às vezes a uma graçola desengonçada. é dos nervos, ambos sabemos, mas eu finjo que não vejo e vou continuando a beber o chá. Cirilo, jocoso, berra-lhe que aquilo é gajo de andar com todos, depois não te queixes, ó totózinho!, mas o coração de Jasmim já sofre de taquicardia sentimental, não há volta a dar.