20.5.18

a desilusão foi sempre demasiado amarga na minha boca. primeiro o Coliseu de Roma, depois a Universidade, agora o Taj Mahal. rasgo a velha máxima de não esperar nada e acabo sempre incrédula a questionar se é só aquilo - esperava monumentos infinitos, daqueles que os sonhos me revelam, em movimentos de intersecção, geometria aumentada, bem ao estilo de Escher. há um sonho especial que desejo secretamente que represente o meu momento final: estou sentada num vale que conheço, verde, em frente a montanha da minha infância, tudo num plano muitíssimo mais íngreme, que se vai aproximando, mas não sinto medo de tombar. sou menina, a minha mãe está sentada ao meu lado e sorri, perto, os meus irmãos brincam às apanhadas. a montanha está cada vez mais perto, os ponteiros do relógio caminham para a sobreposição, vamos ser esmagados, mas estamos serenos. é um sonho escasso, soberbo, dos poucos de que me consigo lembrar. se não acontecer, será a minha última desilusão.