1.5.18

nunca procuro uma encruzilhada deliberadamente - não há em mim qualquer tesão de adrenalina, gosto da tranquilidade aborrecida de pisar o meu carreiro -, mas se o acaso, filho da puta que o pariu, me obrigar a escolher, ou melhor, se eu baixar a guarda e permitir que seja o acaso a tentar o laço na minha garganta, então que fique escrito que, embora possa escolher o lado errado do cruzamento, nunca olho para trás. perder não me imobiliza, tão-pouco me arrecua. o que não admito é que me encostem à parede como um animal encurralado. abdiquei de muito, mas não abdicarei da minha livre vontade.

e assim escreveu a mulher, que espera, mais do que tudo, estar enganada.