18.5.18

rouxinol, o pássaro louco das intermináveis cantatas nocturnas, engatatão do canavial por quem me apaixonei, partiu durante o meu curto exílio nas montanhas. as noites repetem-se agora silenciosas e sem paixão. não consigo deitar-me com ninguém, um louco que seja, um deprimido novelista, um poeta, lambendo-me as mamas, as mãos, os dedos, um a um. olho-os, tacteio-lhes as capas, folheio-lhes os corpos e desisto. se escrever é corrigir a vida, levar os escritores para a cama é enganá-la.

Sono, maravilhosa edição da casa das letras, com ilustrações de Kat Menschik