20.5.18

Stanisław Lem, é com ele que me deito esta noite, caçadora exímia que se pavoneia, venho aqui grafa-lo às 3 da manhã. num descarado ménage, deixo-me seduzir pela tradução directa do polaco de Teresa Fernandes Swiatkiewicz. a teoria da tradução será sempre o meu tesão obscuro, a problemática da apropriação. a palavra é como um corpo, como lhe tocar sem a abocanhar, onde está a equivalência pura, directa, asséptica? tudo não passa de uma mentira, a palavra é um corpo. um sopro, um murmúrio, um ligeiro tremor é quanto basta.
Solaris, o livro por fim, e Lem levando-me para "outros mundos, outras civilizações, sem conhecer inteiramente os meus próprios recantos, os meus becos sem saída, sem saber o que está por detrás das minhas portas negras"....
tem tudo para ser uma noite inesquecível.