11.9.18

deste vez fui sozinha, Cirilo nem se atreveu a questionar a minha decisão. atravessei a cidade com Jolly Jumper a pedir um fardo de palha, mas com boa-vontade e o freio a meio gás lá se aguentou até ao estábulo mais próximo. a pé desde cedo e de estômago vazio, ainda parei num salon desses da moda, onde filas intermináveis de turistas provam as iguarias mais típicas de lisboa, e debiquei junto deles um pastelinho com bica a correr. atravessei umas quantas ruas, galguei alguns degraus e virei a esquina. a toca do velhaco estava mesmo ali em frente, com vista para a praça. tinha pressa em resolver a questão, por isso avancei o mais rápido que pude, quase arrastando o casalinho de franceses apaixonados por uma vespa verde tropa, estacionada no passeio. pardon, i'm sorry, já se arredavam, não? 
sabia exactamente cada palavra que ia dizer, por onde começar, como demonstrar o que tinha de ser, encostá-lo à parede com a realidade certeira. sentia-me confiante da vitória. o azul escuro dava-me um ar profissional, estava com boa cara, o cabelo arrebitado num rabo de cavalo perfeito, a sobrancelha, à linha, devidamente arqueada, o sorriso no ponto certo. vamos lá então, envergonhar aquele cara de cu e obrigá-lo a puxar da carteira.
não foram precisos nem trinta segundos a caminhar pela praça, para sentir o sabor amargo da derrota. uma nesga da janela rasteira e um papel torto onde alguém tinha escrito: Fechados para férias até 24/09... ¡cabrón!...