15.10.18

sei que Tristan tem razão, a culpa, a que ele prefere chamar de responsabilidade, é minha, fui eu que decidi acreditar que ainda podia salvar o ano. deixei que a luz do sol me namorasse, analisei os números com a pele acariciada pela volúpia do calor. quão irónica pode ser às vezes a vida, que até do corpo me escoou a vitamina. estúpida, é isso que sou. acreditar que o último trimestre nos traria a salvação. Bartolomeu contrapõe, dizendo que não conhece ninguém que avance sem tropeçar, por vezes nos seus próprios passos. é necessário acreditar que o melhor virá, a chuva há-de parar. agradeço-lhe as palavras, amigas, mas não as engulo. culpa minha, que não tive a coragem, devíamos ter alterado a rota do navio, logo que o vento começou a amainar. continuo com este defeito de astrologia barata entranhado na carne, demoro séculos, demasiadas vidas, a desistir do que não vinga.