13.11.18

é uma vontade de desistir, sim, desistir sem explicações, acabou, fui, não dá mais, mas não te preocupes, que não tenciono matar-me, e eu lá teria coragem para tanto, já me conheces, sou das que mirram, das que fogem, não, nada de dramas, era desaparecer da cidade, desta gente toda igual, falando merda, vendendo merda, parecendo merda, sendo merda; estou farta, sim, farta de andar todos os dias o mesmo caminho que não me leva a lado nenhum, apenas cimento e contas e imperativos, e eu nada, sem respostas, sem merda nenhuma, eu quero é o campo, o campo aberto, o mato, as ervas altas, a lama, o vento, os pássaros, os bichos todos e os livros, sim, os livros, pequenos livros de contos e de poesia, pouco mais, e quando os livros não forem fogo e mel, abandono-os ao pó, visto o casaco azul, calço as botas velhas e desço a ladeira com os cães. não tenho filhos, findarei em mim, louca, calcorreando os montes, sorrindo aos rebanhos, voando no voo do falcão, longe, à procura da minha mãe.